sábado, 22 de março de 2014

Tudo por causa do Manuel Quintino!

Sim, só eu para me lembrar de coisas destas!


Estávamos em 1983/84, nós, os alunos de Português da Profª Drª Cândida Xavier, fizemos o percurso pedestre de Manuel Quintino, personagem do livro "Uma Família Inglesa" de Júlio Dinis.

Eu tive autorização expressa da Professora para levar o namorado que era da mesma turma  mas que não frequentava a disciplina, assistia apenas às aulas, e que para além de tudo era Cândido de nome como a professora!! (tempos de grande tolerância, digo eu.)

 Alguém se lembra...? É que eu já nem sei quantas turmas foram neste Passeio!

Lá saímos, todos, a pé do liceu em Campanhã, na cidade do Porto, e cortámos pela Companhia das Águas, numa grande galhofa! Os caminhos levaram-nos por "vielas e calçadas"... até atravessarmos a linha do comboio em daí avistar o rio, finalmente. (alguns desses caminhos estão hoje desactivados, com acesso vedado,e consequentemente votados ao abandono e degradação.)

O destino principal era a Quinta da China sobranceira ao Rio Douro que na altura pertencia e alojava os escritórios de uma empresa, suponho que já era a Mota  & Companhia. 

O que eu sei, é que me fartei de namorar naquela manhã...  mas sempre com o ouvido no orador que veio explicar a história da Quinta da China... No fim, apenas 3 alunos puderam entrar nas instalações e colocar algumas questões. Eu fazia parte desse número porque apesar de tudo, tinha um jeito enorme para escrever, fazia parte também o José Luís da minha turma, a outra pessoa não me recordo....( não se esqueçam que continuo à procura deste colega Zé Luís, imagino que tenha conseguido chegar longe...loiro, olho azul, e algum peso..)É que nem os "chochos" me impediram de ter feito o melhor trabalho escrito sobre a Quinta da China. Naquela idade conseguia ter um olho no burro (que era o meu Cândido) e outro na albarda (que era ouvir o suficiente...para poder cumprir..).
Tão bo(nzinho) era o trabalho que acho até que o passei à máquina... 

Recordo também que a professora expunha os melhores trabalhos dos alunos dela na Quinta Macieirinha, supostamente terá incluído esse meu trabalho também. E, estes dias, ainda o tentei recuperar, através da Câmara Municipal do Porto, responsável pelos arquivos relacionados com projectos pedagógicos daquele espaço, onde se confirmou haver reconhecida participação da professora Cândida Xavier nos anos oitenta.


Gosto muito desta memória, particularmente da lembrança dos beijos do Cândido.


MEMÓRIAS 22/03/14
LICEU RAINHA SANTA ISABEL
(re-editado 15/06/16)

quinta-feira, 6 de março de 2014

Será que Ela vai Explodir?


Estou com medo de mim própria! Sim, porque esta lady aqui, quando lhe dá para quebrar muros de betão com a própria cabeça, desafiar o impossível...torna-se tão imprevisível  quanto irredutível... Às vezes, confesso, não sei se a conheço!

A última vez que se meteu em tal teimosia taurina, foi quando a lady decidiu deixar de fumar.... Ora nem vos conto! Ela muniu-se de algumas armas que incluíam uma estratégia básica de 12 meses de mentalização caseira, de uma pasta A4 para guardar o material das imensas pesquisas, acreditando que precisava inspirar-se no máximo de casos de sucesso, possível. De repente, armou-se perante os cépticos, ou seja, todos os que a conheciam, e, de um dia para o outro, num predestinado fim de semana, escolhido "a dedo", do início do ano de 2006, ela entra em jejum directo e "eterno" após despedir-se apaixonadamente do último cigarro. (salvaguardo o devido respeito pelo "nunca digas nunca", porque ninguém está livre!

Teve apoio? Teve, sim senhora. Duas velhas amigas e colegas de trabalho que carinhosamente afixavam cartazes anti-tabagismo personalizados, faziam um racionamento apertado do stock diário da cigarreira metálica onde eram guardados os "ditos cujos"; sem contar  com os maravilhosos "choradinhos" de "queremos que fiques cá mais tempo". Elas foram as verdadeiras impulsionadoras da minha reabilitação, para que hoje eu seja esta mulher madura, mas muito mais saudável que vocês conhecem. Para todos os outros, eu era um caso perdido!! 
Foto Rara_Setembro 05
Ora essa...

Depois disto, que outro muro haveria ela de querer deitar abaixo agora?! E já deitou? Já, sim senhora..(vem coisa!)

Pois, mas agora já só conto lá para Maio...depois de recuperar o fôlego da batalha!

Adoro vir aqui, escrever um bocadinho que seja.

Fiquem Bem!

sábado, 25 de janeiro de 2014

"Obedecer cegamente às hierarquias"

Sinto que devo escrever sobre o assunto. 

Estou atormentada pelo sentimento de que o ser humano ainda sinta necessidade de se deixar subjugar por aquilo a que chamam de hierarquias. 

Sou muito crítica em relação a esta forma de estar, costumo dizer amiúde que demasiadas pessoas não hesitam em "atirarem-se ao rio" a pedido de um qualquer ser insignificante. Basicamente, é isto que se passa com as vítimas de violência doméstica continuada, com os assalariados contratados para trabalho precário. 

E, se pensarmos bem, há também as vítimas improváveis, aquelas senhoras bem vestidas que circulam na baixa, às compras, e que apesar do bom aspecto estão mortas, há muito tempo, mas por dentro. Tantos foram os anos, os séculos, a obedecer cegamente aos desejos egocêntricos de maridos pré-históricos mas generosos que fantásticas vidas lhes proporcionam. Não julguem que me perco em feminismo barato porque digo-vos já que estou tanto ou mais preocupada, com uma nova geração de oprimidos - os homens, todos, no geral. As mulheres já não se coíbem de subjugar qualquer um, de forma descarada e com uma crueldade que já não as distingue dos homens.

Mas o que me preocupa são os jovens, sejam eles de que sexo for! Sou mãe mas também já fui jovem. As hierarquias estiveram sempre presentes na minha vida mas não lhes permiti, nunca, que determinassem aquilo que eu sou. Eu nunca reconhecerei a superioridade de uma pessoa só porque está numa posição favorável em relação a mim! O meu respeito é e será sempre conquistado pelos valores que essas mesmas pessoas me transmitem. E quando assim não acontece, eu espero serenamente que a natureza se encarregue de colocar essa pessoa no seu lugar, O que nem sempre acontece, claro.. Aliás , tenho esta teoria ameaçada pela falta de casos bem resolvidos. Só mesmo a minha determinação quase cega me faz acreditar que ainda vale a pena esperar.

Não será difícil descobrir que foram as mortes recentes no Meco que me trouxeram aqui. Traz-me aqui também, o amor aos meus filhos e a dor que sinto pelos pais de todos aqueles que perdem filhos ingloriamente, nestas e noutras circunstâncias.

Volto a dizer, que muito me preocupam os jovens!

Não consigo deixar de fazer, imediatamente, duas ou três analogias assustadoras com factos do passado e até mesmo da actualidade. Muitas vezes me interroguei como foi possível alguém seguir Hitler, ou os líderes de movimentos extremistas. Quantas chacinas humanas foram possíveis porque alguém aprendeu bem demais a "obedecer cegamente às hierarquias"? Não, não e não!

Os nossos jovens tem de ser convencidos que apesar do mundo cruel que os espera, terão sempre uma palavra a dizer no futuro deles! Para isso teremos de preservar a natureza e a própria natureza humana. A individualidade de cada um é a maior qualidade que todos temos. O Homem é Um ser maravilhoso, inteligente, superior a qualquer outro que habitou este planeta. O respeito ao próximo bastar-nos-á para a manutenção da espécie, e o amor por si só basta para comandar a vida, como nos diz o Poeta e os mais conceituados cientistas. Respeito, Amor, e já agora Tolerância!

Espero que mais nenhum jovem seja sacrificado pela intolerância de todos nesta terrível história de acontecimentos que já levou  promissores seres.


Em memória dos estudantes.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Adoro Cadernos...

Adoro comprar cadernos, cadernos giros, às vezes compro-os sem razão aparente...
Mas há um que vou conservar para sempre porque representa o principio de uma nova era para mim. Comprei-o na minha primeira visita à Fnac no Mar Shopping que tinha aberto recentemente. Nesse dia comprei também um caderninho de apontamentos para uma amiga, alusivo ao Pessoa que ela tanto adora, tal como este, que comprei para mim.


O primeiro registo data de 16/11/2008 e diz : " (...) Destina-se assim, a receber as minhas memórias, ou um ensaio delas, digamos assim".

A primeira memória diz assim : " Esta semana que passou, o meu filho mais novo [,] honrou-me com o episódio mais feliz dos últimos tempos, fazendo o seguinte elogio: -Oh mãe, tens tantos anos (42) e és tão nova!! Há pessoas com 50 e são tão velhinhas. Tu! Tu ainda és uma menina, uma adolescente!..."
Bem, isto dito pela boca do Simãozito foi uma benção. Durante o resto da semana aproveitei todas as ocasiões para contar o episódio, e são já poucas, as pessoas que não o saibam!"

"(acontecimento do dia 12 (?) de Novembro [2008])"

A seguinte memória diz assim:


" 29/11/08 5,30 da manhã

aeroporto Francisco Sá Carneiro - Destino: Paris"

Finalmente diz:

" 23/05/2009

Reconheço que ainda não fui capaz de descrever a minha viagem a Paris. No entanto, desde então, fiz um lindíssimo álbum de fotos e um não menos belo filme DVD com as imagens que gravámos."

Na mesma data e após algumas notas que não vale a pena referir, termina assim. "próximo passo => uma foto dos meus filhos juntos" . 


Objectivo atingido com a seguinte memória:


"Agosto 2009 
Fiz uma sessão fotográfica com os meus filhos e correu muito bem."


Estavam assim reunidas todas as minhas armas e a força necessária para enfrentar todas as Batalhas que se seguiram! ...mas o meu caderninho do Pessoa permaneceu em branco...


05/12/2013 Dedico ao meu filho mais novo que hoje faz 13 anos!

domingo, 1 de dezembro de 2013

Esta coisas das memórias.... (III)

...Estou um bocadinho repetitiva, já sei... disse anteriormente que em 2012 antecipava com alguma ansiedade a possibilidade de chegar a 2013 e poder comemorar, não só o centenário do meu pai, mas também os 25 anos do meu casamento e até os 21 anos do meu filho Diogo, que me parecem uma nova maioridade. Para além de tudo isso, eu própria, estava de parabéns pelo fim da licenciatura de 3 anos que consegui fazer tal como tinha planeado....Bem, as datas não são assim tão, tão importantes para mim, não pensem! Mas, às vezes, gosto de atribuir a certas datas a importância de marcos inesquecíveis... Sim, fazer sempre do mesmo modo torna-as banais, corriqueiras e nada memoráveis...Como "os Natais", por exemplo...

Talvez, uma das minhas maiores frustrações de sempre, tenha sido passar anos a sonhar com um dia de Natal especial, até tinham passados alguns sem festa e sem espírito de Natal, e tinha prometido a mim mesma construir um dia, um natal à medida dos os meus sonhos....
Assim que casei, lembro-me que fui comprar os meus enfeites de natal ao Bazar Paris, no Porto, pena serem tão caros lá.... Nos anos seguintes aumentei o arsenal e fiz eu própria alguns com a ajuda das revistas da especialidade, sem as quais não passava! Houve anos que fiz até o meu próprio papel de embrulho, e durante muito tempo re-embrulhei os embrulhos das lojas, porque não estavam à minha altura!! Enfim, coisas...
Talvez um dos melhores anos tenha sido aquele em que quase era apanhada a costurar o enorme saco onde o Pai Natal iria trazer os presentes. O Diogo que continuava acreditar que ele, o Pai Natal, vinha mesmo, estava mais crescido e isso dificultava-me a vida para fazer aparecer os presentes debaixo da árvore em 5 minutos sem ele perceber... Por isso, nesse ano, o Pai Natal entregaria o saco dos presentes, à porta, depois de bater e fugindo sem que o víssemos.

Afinal, o meu Sonho era que os meus filhos acreditassem que o Pai Natal podia muito bem existir, realizar os nossos desejos e trazer os nossos presentes de sonho!
Então, anualmente instalou-se uma rotina de certa forma custosa, pelo menos para mim, psicologicamente, ou mais para mim do que para os restantes membros da família de, naquela data, mais ou menos à mesma hora, sair da nossa casa para irmos para a casa dos sogros, onde repetidamente, fizemos a nossa noite de Natal, resumida ao jantar e à espera da meia-noite para a entrega dos presentes. À mesa reuníamo-nos sempre os mesmos, mais ou menos nos mesmos lugares da mesa, com a mesma proteção no tapete, as mesmas porcelanas de sempre. Até as partes do bacalhau estavam como que destinadas vitaliciamente para cada um de nós!

Não, não, serei injusta se atribuir culpa a alguém, a existir será sempre minha! Eu é que vivi obcecada em querer recuperar uma felicidade do natal perdido na infância que me levou a fantasiar em excesso, e provavelmente continuo a fantasiar, o Natal é tudo menos um momento perfeito.

No entanto, apesar de toda a rotina, guardo com carinho a imagem das Tias solteiras que só víamos praticamente nesse dia ( uma das quais perdemos recentemente), do avental que nunca largou a minha sogra, do nervosismo do meu sogro com a sua distribuição de envelopes, já que nunca se deu à maçada de comprar um presente para nós. Era a sua maneira... mal ele sabe que um ano, andei quilómetros a pé, na cidade do Porto, para encontrar o aquecedor de cálices de conhaque que eu queria oferecer-lhe... e nada de aparecer, a não ser um mais antiquado que eu sei lá.... Já prestes a desistir e toda suada, encontrei um mais caro e tudo, mas era aquilo que eu procurava, nada mais interessava. E eu achava e acho, que isto valia tudo, ou mais do que dar aquilo que não nos faz falta nenhuma e sem esforço nenhum!
Durante esses anos, dispensada que estava de ajudar nas lides da consoada, evitando o risco de me tornar um estorvo para a minha sogra, habituada que estava a coordenar tudo à maneira dela; pelo que, fiquei sempre livre para fazer visitas durante a tarde da véspera de natal, e das quais guardo as melhores memórias.
Passava então pelos amigos para deixar os presentes possíveis, e fazia-o sempre à socapa das minhas crianças, a estratégia de ocultar a identidade do Pai Natal era levada ao limite. Pelo caminho, provava as filhós da prima G., onde aproveitava para pôr a conversa atrasada desde o ano anterior, com a Tia M, a prima N, e os primos mais novos.
Hoje em dia e desde há já alguns anos que fazemos do Natal um momento familiar mais íntimo, a quatro, no calor da nossa casa. As iguarias são feitas por mim na tarde da véspera de Natal, sem grandes caprichos, mas ao que parece, consigo fazer umas boas rabanadas, o que já não é mau de todo! E para o bacalhau usamos a panela gigante que compramos em 2010 para uma outra festa célebre de que vos darei conta um dias destes...
Tenho ainda saudades de outra coisa que já não faço desde que os miúdos cresceram - deixar as bolachas num pires, na chávena um bocadinho de leite fresco para o Pai Natal... e voltar atrás, assim que chegava à garagem antes de sairmos de carro, com a desculpa de um esquecimento qualquer... Corria, abria a porta, engolia as bolachas e o leite às 8 da noite, e regressava ao carro a limpar a boca como se nada se tivesse passado.E quando chegávamos à noite, qualquer uma das minhas crianças, a primeira coisa que fazia era confirmar que o Pai natal tinha passado ali... e só tinha deixado... migalhas!E não é que tinha?!

..FELIZ NATAL!
Águas Santas, 16 de Novembro de 2013

Nunca consegui que me compreendessem devidamente!
(Depois admiram-se quando solto as minhas "cornadas", cornadas que é como quem diz! Qual toiro (a) enraivecido(a).... que rapidamente se senta na arena a cheirar uma flor, como o Touro Ferdinando, já que a minha raiva vai-se sempre embora muito mais depressa do que veio!)





sábado, 9 de novembro de 2013

Esta coisa das Memórias...II

Ora, retomemos Abril de 2013 e o episódio em que eu decidi reaver um foto do meu pai...


Era uma ideia que há muito me perseguia... a foto mais importante do meu pai, tinha saído de casa por vontade dele, pelo que, fazendo fé na memória que guardáramos, a foto deveria estar com o Carlos, o filho primogénito do meu pai, e eu devia recuperá-la, porque....!

Numa agenda de endereços que tenho desde que fui trabalhar para a Churchill's, oferecida por uns premiados escanções e barmen Japoneses que eu acompanhei excepcionalmente numa visita à Churchill's. É muito gira e espero guardá-la por muito tempo...
Lá, tinha eu registado o fruto de uma pesquisa que tinha feito, há mais de um ano, no sentido de localizar o meu irmão, de quem não possuía qualquer contacto. A última vez que estivemos juntos em família deve ter sido precisamente no fim de semana da Revolução dos Cravos! Na altura do Funeral do Pai, o Carlos não veio de Lisboa, veio um seus filhos, creio que o Jorge, e não mais ninguém se tornou a ver...

Até já tinha confidenciado à minha mãe a vontade forte que tinha de recuperar aquela foto!
Fui mais rápida que ela a consegui-lo.
Mais tarde também me confidenciou que tencionava ir a determinada morada no Porto com o intuito de conseguir localizar a família da esposa do Carlos que era do Porto. Ainda bem, que ela percebeu.

Bem, o que é certo é que eu olhava para uma das moradas que obtive, e que me parecia muito familiar - de repente... parecia a mesma que eu escrevia no envelope liso a demanda do meu pai, que criteriosamente vincava o gancho de cabelo da minha mãe para fazer duas ou três linhas mais ou menos invisíveis, mas que serviam para eu não fugir com a escrita página abaixo. O meu Pai que após um AVC perdera uma caligrafia exemplar, conseguia escrever nas folhas pautadas mas pedia a minha ajuda para o envelope! Lembro-me disso e do medo...da reacção dele...

Bem, lá fiz uma carta, como quem escreve para um estranho, por um lado desconhecendo se ela ia parar à pessoa certa, por outro, enfrentando a possibilidade de ser a pessoa certa mas não estar interessado sequer em mim, ou numa irmã, e tão pouco na fotografia do Pai...

Qual não foi a minha surpresa!

Henrique Ferreira
Nessa altura andava bastante ocupada com o último semestre da licenciatura, e até me esquecera que tinha enviado a carta para Lisboa.  Um dia tinha chegado para jantar já tarde e nem sei porque motivo, já que a partir das 6 da tarde, depois do trabalho, era costume estar a estudar durante horas, toca o telefone. Era o Carlos! Não era um Carlos qualquer, era o meu irmão, e estava feliz por eu o ter procurado.

Sei que perdi o apetite! Passado alguns minutos já estavamos a trocar emails, ele a enviar-me fotos, e mais fotos de todos, dele, do pai, dos filhos, dos netos, e até minhas! 
Encontrei finalmente a foto que procurava....
Foi um belo de um Reencontro!

Desde aí, ou seja, de Abril até agora, mantemos o contacto, mas ainda não nos encontramos. O Carlos fez 79 anos este verão, é nada mais nada menos que até mais velho que a minha mãe! Sinto-me privilegiada pela oportunidade de o reaver como irmão. Já estabeleci o contacto com dois dos sobrinhos que ainda se lembram da tia, menina, mais nova que eles, claro! Espero vir a conhecer os outros dois que são mais novos. Mais do que isso, espero muito brevemente olhar nos olhos deles todos e por a conversa em dia com o meu irmão. Afinal, fazemos parte da mesma História! A nossa, a dos Ferreirinhas!




segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Esta coisa das Memórias... I


Recordo-me de ter dito há pouco tempo (?) mas já foi no ano passado: - Para o ano é o Centenário do nascimento do meu pai, quero fazer algo acerca disso como se ele fosse uma qualquer pessoa muito, muito Importante!

O tempo passou a correr, na televisão começaram a divulgar os 100 anos de Cunhal, pessoa importante também, mais ou menos assim como o meu pai... não tinha tempo a perder...

Aliás 2013 parece estar cheio de datas comemorativas : os meus 25 anos de casamento, os 50 anos de casamento dos sogros, os 100 anos do dito, até os 125 anos do avô paterno..  Sim, é verdade, foram cumpridos no passado dia 29 de Outubro...

Pois, com a história de querer fazer um tributo ao meu pai, fui levada a mergulhar no turbilhão do passado, tão longínquo que nem faz parte das minhas memórias mas sim daquelas que só os documentos e os relatos me poderiam trazer... e fui bem longe, ou bem fundo, se quiserem.

Mais ou menos por volta de Abril último, dei por mim, atentíssima às comemorações de 25 de Abril e a recordar, como já tantas vezes fiz nestes últimos 40 anos, mas mais intensamente que nunca, que na manhã do dia 25 de Abril de 1974, eu, a mãe e o pai formos para Lisboa de fim-de-semana prolongado e em que "acidentalmente" iria coincidir o meu 8º aniversário em plena Revolução dos Cravos.

As memórias desses dias passados em Lisboa, como aliás de quase tudo o que envolve os principais momentos da minha infância, são bem recheadas de detalhes e de algumas imagens. Digamos que com 7 anos, vivi com alguma intensidade o momento que o país atravessava, senti a importância que o meu pai lhe deu pela forma como ele conservou durante anos, numa pasta de pele feita por ele, os jornais e revistas da época como o Século Ilustrado comprado em Lisboa! (posso até estar errada, mas na época nunca tinha visto à venda no Porto um jornal a cores, como aquele)

Sim, porque o ilustre Centenário era um Alfaiate de qualidade, dito porque quem o conheceu melhor que eu....

Ora, retomemos Abril de 2013 e o episódio em que eu decidi reaver um foto do meu pai...

Mas como já prolonguei por demais este prólogo da história que quero contar, fica para o próxima, que será em breve certamente!



Águas Santas, 31 de Outubro de 2013



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Passo a vida a lembrar-me deles orgulhosamente...

...Orgulhosamente, gosto de me lembrar de certas pessoas que tive na minha vida. Uma delas era um amigo de infância, difícil, o Primo Z. Às vezes pergunto-me se alguém sabe o quanto eu representava para ele e o quanto ele acabou por influenciar a minha vida.

A minha avó materna, ou melhor, a avó de ambos, costumava dizer : "Quanto mais prima, mais se lhe arrima!" - por acaso não se aplicou, porque simplesmente éramos muito diferentes. Quando éramos mais novos, estávamos "pegados" constantemente, coisas de miúdos que ninguém ligava. O pior é que, quem o aturava era eu!

Assim que crescemos tornámo-nos mais íntimos, cada qual tinha os seus problemas de adolescente,  muito armados em crescidos, muito independentes, e esquisitos até..

Nessa altura partilhávamos muitas coisas, desde jogos, especialmente os de caneta e papel que levávamos para todo o lado, música que ouvíamos juntos, tipo, Gal Costa, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Djavan, Rita Lee.. ou melhor, eu tinha sido alienada pelo Z. que adorava música brasileira, comprava LP's importados e tudo.

"Coisas de menino rico", sim, um dos problemas do primo Z. foi ter sido um menino a quem pretenderam comprar felicidade com "coisas". Até eu, às vezes, era usada para a satisfação dos seus desejos - não que eu me importasse de ser usada, obviamente. Só assim pude, por exemplo, ir à Cornélia a Lisboa e dar um beijo ao meu ídolo Raúl Solnado. Comer dois gelados no mesmo dia, claro que a "reboque" do primo... herdar o almanaque com a lombada descolada que o primo não queria, e até comprar-lhe livros rejeitados a preço de segunda-mão, me parecia uma benção na altura. Ficar na praia até tarde, e ir de carro para casa dos tios em vez de ir de comboio com a mãe.

Vou abreviar as partes dos "sofrimentos" que ele me infligia: para além de me obrigar a ouvir repetidamente as músicas, e eu ter que dizer quem era o intérprete; ser obrigada a cantar músicas do Walt Disney em brasileiro e ser pontuada quase sempre com más notas, apesar da tia M adorar sempre o que ouvia. Comparar os meus resultados escolares de Bom e Muito Bom com a notas máximas e QI elevado que nem precisava estudar.
Só não sorria tanto como eu, nem parecia tão feliz como eu. Dizia a Tia M, e com razão.

São mesmo muitos os episódios de que me lembro, e o que sei é que foram muitos os dias em me divertia valentemente, e até tarde, muito tarde à noite, exactamente como eu sonhava poder fazer.
Arranjo sempre alguém para me ouvir falar do Primo Z, ainda hoje, quando já passaram mais de 20 anos desde que ele desistiu de viver. (link:"Cais" de Milton de Nascimento)

Duvido que alguém tenha tido um Primo Z. assim!

P.S: quando perdi o primo Z. gostaria de ter ficado com um livro ou um disco dele, sinal de que alguém se tinha lembrado que eu fui a sua melhor amiga e companheira, e que a outra prima de que dizem ele ter gostado mais, nunca soube ouvir a sua música e as suas bandas desenhadas, como eu. Disso tenho a certeza.

sábado, 26 de outubro de 2013

O meu percurso na UAB 2010-2013

Meus queridos,


Foi das decisões mais acertados dos últimos anos da minha vida!

Sim, ter-me candidatado a uma licenciatura na UAB (Universidade Aberta) em 2010. Aliás, o ano foi excelente em termos de projectos pessoais e familiares. Começou logo com o meu reencontro com Eça de Queirós e a Cidade e as Serras, como parte da preparação para a prova de acesso. Há que anos não lia Eça, eu que sempre o admirei!

O inicio do 1º semestre coincidiu com a Festa Surpresa que preparei para o meu filho mais velho que fazia 18 anos, exactamente na data da capicua 10 10 10...

Os três anos passaram a voar, e eu adorei! Não posso dizer que adorei cada minuto, porque houve minutos, horas, dias horríveis... de ansiedade, sofrimento físico, medo... sei lá!

Agora, deixem que vos diga, adorei quase tudo o que li, quase tudo o que tive de estudar para realizar os trabalhos, as provas, os exames. Conheci novas pessoas, lidei com algumas virtualmente, mas essencialmente, fiz uma mão cheia de novas amizades que vou tentar guardar para o resto da minha vida.

Quando terminei neste verão , apesar do sucesso, da ausência de deslizes e até  de algum mérito no resultado final, não havia espaço para a sensação de glória. A nostalgia de aqueles momentos já terem passado, tomou conta de mim!

Pois ainda assim 2013, é outro ano de grande generosidade para mim! Vou chamar-lhe de Reencontro(s).

Agora que entrou o Outono, estou a arrumar a casa.. a das minhas memórias, a dos meus afectos, e reuni nestes 3 últimos anos, o máximo que pude em registos fotográficos das minhas visitas (diga-se, de estudo) aos Museus,  ao nosso Património Nacional e da Humanidade, como são as belíssimas Igrejas, Basílicas, Palácios, Bibliotecas, sei lá, um sem número de espaços. Tive também o privilégio de ver, apreciar, imensas obras de pintura, de escultura, mas também de artes decorativas, tradicionais, nacionais e estrangeiras. E tudo isto acompanhada pela minha família, que foi exímia a dar azos aos meus desejos de tudo querer visitar!

É esse espaço que vos quero apresentar, está "arrumadinho" no meu GOOGLE+ , está ainda em construção mas já contém muito material!

Vá lá!  DA UMA OLHADA!

As imagens são todas da minha autoria, devem ser vistas na forma "APRESENTAÇÃO DE DIAPOSITIVOS" e estão acompanhadas de legendas, sempre que possível, onde aliás tento remeter para fontes e links fidedignos para conhecimento mais aprofundado.