sábado, 9 de novembro de 2013

Esta coisa das Memórias...II

Ora, retomemos Abril de 2013 e o episódio em que eu decidi reaver um foto do meu pai...


Era uma ideia que há muito me perseguia... a foto mais importante do meu pai, tinha saído de casa por vontade dele, pelo que, fazendo fé na memória que guardáramos, a foto deveria estar com o Carlos, o filho primogénito do meu pai, e eu devia recuperá-la, porque....!

Numa agenda de endereços que tenho desde que fui trabalhar para a Churchill's, oferecida por uns premiados escanções e barmen Japoneses que eu acompanhei excepcionalmente numa visita à Churchill's. É muito gira e espero guardá-la por muito tempo...
Lá, tinha eu registado o fruto de uma pesquisa que tinha feito, há mais de um ano, no sentido de localizar o meu irmão, de quem não possuía qualquer contacto. A última vez que estivemos juntos em família deve ter sido precisamente no fim de semana da Revolução dos Cravos! Na altura do Funeral do Pai, o Carlos não veio de Lisboa, veio um seus filhos, creio que o Jorge, e não mais ninguém se tornou a ver...

Até já tinha confidenciado à minha mãe a vontade forte que tinha de recuperar aquela foto!
Fui mais rápida que ela a consegui-lo.
Mais tarde também me confidenciou que tencionava ir a determinada morada no Porto com o intuito de conseguir localizar a família da esposa do Carlos que era do Porto. Ainda bem, que ela percebeu.

Bem, o que é certo é que eu olhava para uma das moradas que obtive, e que me parecia muito familiar - de repente... parecia a mesma que eu escrevia no envelope liso a demanda do meu pai, que criteriosamente vincava o gancho de cabelo da minha mãe para fazer duas ou três linhas mais ou menos invisíveis, mas que serviam para eu não fugir com a escrita página abaixo. O meu Pai que após um AVC perdera uma caligrafia exemplar, conseguia escrever nas folhas pautadas mas pedia a minha ajuda para o envelope! Lembro-me disso e do medo...da reacção dele...

Bem, lá fiz uma carta, como quem escreve para um estranho, por um lado desconhecendo se ela ia parar à pessoa certa, por outro, enfrentando a possibilidade de ser a pessoa certa mas não estar interessado sequer em mim, ou numa irmã, e tão pouco na fotografia do Pai...

Qual não foi a minha surpresa!

Henrique Ferreira
Nessa altura andava bastante ocupada com o último semestre da licenciatura, e até me esquecera que tinha enviado a carta para Lisboa.  Um dia tinha chegado para jantar já tarde e nem sei porque motivo, já que a partir das 6 da tarde, depois do trabalho, era costume estar a estudar durante horas, toca o telefone. Era o Carlos! Não era um Carlos qualquer, era o meu irmão, e estava feliz por eu o ter procurado.

Sei que perdi o apetite! Passado alguns minutos já estavamos a trocar emails, ele a enviar-me fotos, e mais fotos de todos, dele, do pai, dos filhos, dos netos, e até minhas! 
Encontrei finalmente a foto que procurava....
Foi um belo de um Reencontro!

Desde aí, ou seja, de Abril até agora, mantemos o contacto, mas ainda não nos encontramos. O Carlos fez 79 anos este verão, é nada mais nada menos que até mais velho que a minha mãe! Sinto-me privilegiada pela oportunidade de o reaver como irmão. Já estabeleci o contacto com dois dos sobrinhos que ainda se lembram da tia, menina, mais nova que eles, claro! Espero vir a conhecer os outros dois que são mais novos. Mais do que isso, espero muito brevemente olhar nos olhos deles todos e por a conversa em dia com o meu irmão. Afinal, fazemos parte da mesma História! A nossa, a dos Ferreirinhas!




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