sábado, 25 de janeiro de 2014

"Obedecer cegamente às hierarquias"

Sinto que devo escrever sobre o assunto. 

Estou atormentada pelo sentimento de que o ser humano ainda sinta necessidade de se deixar subjugar por aquilo a que chamam de hierarquias. 

Sou muito crítica em relação a esta forma de estar, costumo dizer amiúde que demasiadas pessoas não hesitam em "atirarem-se ao rio" a pedido de um qualquer ser insignificante. Basicamente, é isto que se passa com as vítimas de violência doméstica continuada, com os assalariados contratados para trabalho precário. 

E, se pensarmos bem, há também as vítimas improváveis, aquelas senhoras bem vestidas que circulam na baixa, às compras, e que apesar do bom aspecto estão mortas, há muito tempo, mas por dentro. Tantos foram os anos, os séculos, a obedecer cegamente aos desejos egocêntricos de maridos pré-históricos mas generosos que fantásticas vidas lhes proporcionam. Não julguem que me perco em feminismo barato porque digo-vos já que estou tanto ou mais preocupada, com uma nova geração de oprimidos - os homens, todos, no geral. As mulheres já não se coíbem de subjugar qualquer um, de forma descarada e com uma crueldade que já não as distingue dos homens.

Mas o que me preocupa são os jovens, sejam eles de que sexo for! Sou mãe mas também já fui jovem. As hierarquias estiveram sempre presentes na minha vida mas não lhes permiti, nunca, que determinassem aquilo que eu sou. Eu nunca reconhecerei a superioridade de uma pessoa só porque está numa posição favorável em relação a mim! O meu respeito é e será sempre conquistado pelos valores que essas mesmas pessoas me transmitem. E quando assim não acontece, eu espero serenamente que a natureza se encarregue de colocar essa pessoa no seu lugar, O que nem sempre acontece, claro.. Aliás , tenho esta teoria ameaçada pela falta de casos bem resolvidos. Só mesmo a minha determinação quase cega me faz acreditar que ainda vale a pena esperar.

Não será difícil descobrir que foram as mortes recentes no Meco que me trouxeram aqui. Traz-me aqui também, o amor aos meus filhos e a dor que sinto pelos pais de todos aqueles que perdem filhos ingloriamente, nestas e noutras circunstâncias.

Volto a dizer, que muito me preocupam os jovens!

Não consigo deixar de fazer, imediatamente, duas ou três analogias assustadoras com factos do passado e até mesmo da actualidade. Muitas vezes me interroguei como foi possível alguém seguir Hitler, ou os líderes de movimentos extremistas. Quantas chacinas humanas foram possíveis porque alguém aprendeu bem demais a "obedecer cegamente às hierarquias"? Não, não e não!

Os nossos jovens tem de ser convencidos que apesar do mundo cruel que os espera, terão sempre uma palavra a dizer no futuro deles! Para isso teremos de preservar a natureza e a própria natureza humana. A individualidade de cada um é a maior qualidade que todos temos. O Homem é Um ser maravilhoso, inteligente, superior a qualquer outro que habitou este planeta. O respeito ao próximo bastar-nos-á para a manutenção da espécie, e o amor por si só basta para comandar a vida, como nos diz o Poeta e os mais conceituados cientistas. Respeito, Amor, e já agora Tolerância!

Espero que mais nenhum jovem seja sacrificado pela intolerância de todos nesta terrível história de acontecimentos que já levou  promissores seres.


Em memória dos estudantes.


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