"Obedecer cegamente às hierarquias"
Sinto que devo escrever sobre o
assunto.
Estou atormentada pelo sentimento de que o ser humano ainda sinta
necessidade de se deixar subjugar por aquilo a que chamam de hierarquias.
Sou
muito crítica em relação a
esta forma de estar, costumo dizer amiúde que demasiadas pessoas não
hesitam em "atirarem-se ao rio" a pedido de um qualquer ser
insignificante. Basicamente, é isto
que se passa com as vítimas
de violência doméstica continuada, com os
assalariados contratados para trabalho precário.
E, se pensarmos bem, há também as vítimas improváveis,
aquelas senhoras bem vestidas que circulam na baixa, às compras, e que apesar do bom aspecto estão mortas, há muito tempo, mas por dentro.
Tantos foram os anos, os séculos,
a obedecer cegamente aos desejos egocêntricos
de maridos pré-históricos mas generosos que fantásticas vidas lhes proporcionam. Não julguem que me perco em
feminismo barato porque digo-vos já
que estou tanto ou mais preocupada, com uma nova geração de oprimidos - os homens,
todos, no geral. As mulheres já não se coíbem de subjugar qualquer um, de forma descarada e com uma
crueldade que já não as distingue dos homens.
Mas o que me preocupa são os jovens, sejam eles de que
sexo for! Sou mãe mas também já fui jovem. As hierarquias estiveram sempre
presentes na minha vida mas não
lhes permiti, nunca, que determinassem aquilo que eu sou. Eu nunca reconhecerei
a superioridade de uma pessoa só porque
está numa posição favorável em relação
a mim! O meu respeito é e
será sempre conquistado
pelos valores que essas mesmas pessoas me transmitem. E quando assim não acontece, eu espero
serenamente que a natureza se encarregue de colocar essa pessoa no seu lugar, O
que nem sempre acontece, claro.. Aliás
, tenho esta teoria ameaçada
pela falta de casos bem resolvidos. Só
mesmo a minha determinação
quase cega me faz acreditar que ainda vale a pena esperar.
Não
será difícil descobrir que foram as
mortes recentes no Meco que me trouxeram aqui. Traz-me aqui também, o amor aos meus filhos e a
dor que sinto pelos pais de todos aqueles que perdem filhos ingloriamente,
nestas e noutras circunstâncias.
Volto a dizer, que muito me preocupam
os jovens!
Não
consigo deixar de fazer, imediatamente, duas ou três analogias assustadoras com factos do passado e até mesmo da actualidade. Muitas
vezes me interroguei como foi possível
alguém seguir Hitler, ou os
líderes de movimentos
extremistas. Quantas chacinas humanas foram possíveis
porque alguém aprendeu bem
demais a "obedecer cegamente às
hierarquias"? Não, não e não!
Os nossos jovens tem de ser
convencidos que apesar do mundo cruel que os espera, terão sempre uma palavra a dizer no futuro deles! Para
isso teremos de preservar a natureza e a própria
natureza humana. A individualidade de cada um é
a maior qualidade que todos temos. O Homem é Um ser maravilhoso, inteligente, superior a
qualquer outro que habitou este planeta. O respeito ao próximo bastar-nos-á para a manutenção da espécie, e o amor por si só basta para comandar a vida, como nos diz o Poeta e
os mais conceituados cientistas. Respeito, Amor, e já agora Tolerância!
Espero que mais nenhum jovem seja
sacrificado pela intolerância
de todos nesta terrível
história de acontecimentos
que já levou promissores
seres.
Em memória
dos estudantes.
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